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Simpósio de Missões URGEM - AD-OSASCO

O evento propôs uma profunda reflexão sobre missões...

A URGEM (Urgência Missionária – Assembleia de Deus Belém, Osasco/SP) realizou o 2º Simpósio de Missões. O tema do simpósio foi “Missões, esta é a hora: Agora ou nunca”, no qual trouxe uma profunda reflexão sobre o panorama missionário no Brasil e no mundo árabe. Nomes como o do Pr. Saulo Gregório de Lima, secretário executivo da SENAMI (Secretaria Nacional de Missões/CGADB), Dr. Sérgio Medeiros, diretor da O.G.C – Médicos com uma Missão, Pr. Jair Felisbino, um dos diretores da URGEM e o missionário americano David White estiveram entre os palestrantes do evento. Além deles, ocuparam o púlpito o Pr. Paulo Locatelli, Rio Grande do Sul/RS e os missionários Dag P., São Luiz/MA e Charlotte Cruz, Curitiba/PR, que são referência no assunto islâmico.

Pr. Saulo Gregório, secretário executivo da SENAMI

Dentro do tema proposto, os palestrantes apresentaram um cenário das prioridades da obra missionária tendo o Brasil como ponto de partida. O pastor Saulo Gregório abordou sobre os grupos minoritários, que no Brasil estão divididos em oito segmentos, a saber: Indígenas, Ribeirinhos, Ciganos (etnia Calon) Sertanejos, Quilombolas, Imigrantes, Surdos, e os mais ricos e os mais pobres. Na sequência, o Pr. Paulo Locatelli elevou o discurso além das fronteiras brasileiras ao apresentar os Povos Não Alcançados (PNAs).

De acordo com pesquisadores um povo só é considerado não alcançado se menos de 2% de sua população for considerada cristã evangélica; nesse caso, vão precisar da ajuda de missionários para proclamar o evangelho em seu país. Quase 3 Bilhões de pessoas se enquadram nessa categoria. Locatelli apontou para a parte do globo terrestre onde estão concentrados a maior parte dos PNAs: a famigerada Janela 10/40, que se estende do norte da África para o sudeste Asiático, onde a maioria das grandes religiões não cristãs tem influência, como o hinduísmo, islamismo e budismo, por exemplo.

Missionários Dag P. e Paulo Locatelli

O Islã foi um tema recorrente e seriamente abordado durante o simpósio pelos palestrantes, miss Dag P. e Charlotte Cruz. Dag fez uma abordagem mais apologética, apontando para as controvérsias teológicas existentes no alcorão. Dag compartilhou de sua experiência de 9 anos no Egito, país onde chegou a ficar 9 dias preso, completamente incomunicável. Dag estudou com afinco a religião islâmica tornando-se um profundo conhecedor dos ensinos e da cultura árabe.

Os participantes do 2º Simpósio ainda tiveram a oportunidade de ouvir o Pr. Jair Felisbino, o qual em sua prédica falou sobre A Missão de Deus e A Missão da Igreja, além de apresentar o projeto Cuba que gerencia por meio da URGEM. Outro palestrante, o americano David White, abordou o tema “A hora final para missões”. Os inscritos puderam conhecer um pouco sobre os Médicos com uma Missão, o qual trabalha com jovens bi vocacionados. O projeto foi idealizado pelo pastor e Dr. Sérgio Medeiros, que tem como objetivo recrutar 500 missionários médicos. O evento teve o apoio do pastor José Amaro da Silva, líder da Assembleia de Deus Ministério do Belém em Osasco/SP. O Pr. José Amaro disse no momento em que externou seus agradecimentos que quer a igreja mais envolvida no próximo simpósio. O evento foi organizado pela equipe da URGEM e coordenado pelo jovem Pr. Erivaldo Leal de Carvalho, que há 15 anos é o diretor executivo da URGEM. Cerca de 500 pessoas prestigiaram diariamente o evento. A AD em Osasco recebeu caravanas das cidades de Arujá e Soroca/SP e Leme/RJ.

Pastores Joel Moisés - co-pastor, José Amaro - Lider da AD Osasco e Erialdo Leal, diretor da Urgem

Islâmicos no Brasil: Oportunidade

A 2º edição do Simpósio de Missões promovido pela URGEM muito ensinou sobre a crescente presença muçulmana no Brasil e como a igreja evangélica brasileira deve se comportar. A miss. Charlotte Cruz que também esteve por 5 anos no Egito, além de ter conhecido outros países de crença islâmica como o Iraque, trouxe informações valiosas sobre os muçulmanos. Charlotte retornou ao Brasil, mas continua exercendo seu ministério supervisionando obreiros no mundo árabe por meio da CCI Brasil (Crossover Communications International).  Ela também tem trabalhado com foco nos muçulmanos que tem chegado ao Brasil como refugiados. Charlote trata o assunto como oportunidade. “É uma grande oportunidade tê-los em nosso solo, alguns desses países são bem fechados, dificilmente nós conseguiríamos colocar um missionário lá dentro. Aqui temos liberdade, ninguém vai nos perseguir ou nos prender, não precisamos aprender árabe para falar de Jesus para eles. Estamos em vantagem em relação aos missionários transculturais”.

A propósito da crescente presença de muçulmanos em nosso país que resulta do movimento de imigração ou por outros motivos, como o suposto interesse de se “islamizar” o Brasil, Charlotte alertou sobre qual deve ser o posicionamento da igreja evangélica brasileira no trato com os muçulmanos. “Temos que desmistificar um monte de conceitos em nosso coração, de que os muçulmanos são fundamentalistas, terroristas e querem nos fazer mal. Aprender a cultura e como eles pensam é importante, mas o que vai atraí-los a Cristo é a aproximação, o relacionamento, tratá-los como ser humano, como gente. Temos que entender que o princípio do evangelho é básico, simples, é amar o próximo; temos que servi-los, ajudá-los, permitir que conheçam a nossa vida, ser amigo deles, até que percebam que você é normal e nutri um relacionamento diferenciado com sua mulher e sua família. Assim vão compreender que no mundo ocidental existem pessoas que obedecem à Palavra de Deus.”

Por que o Islã tem se mostrado atraente para o ocidente?

O Islã tem atraído muitos adeptos no Brasil. Em 2010, o último senso apontava para 600 mil muçulmanos. Em menos de 10 anos, esse número quase dobrou, atingindo 1,5 milhão de adeptos. Na cidade de Embu das Artes, grande São Paulo, foi inaugurada a primeira mesquita dentro da comunidade Cultura Física; isso demonstra que o Islã tem penetrado em todas as classes sociais, inclusive as mais pobres.

A missionária Charlotte Cruz aponta para um dos motivos que explica esse crescimento. “O muçulmano é determinado e está disposto a pagar o preço de ir até as últimas consequências por sua fé. Em alguns países da Europa, onde há ausência de Deus, onde pessoas já não acreditam mais em nada, quando veem pessoas dispostas a morrerem pelo que acreditam, isso é atrativo; como por exemplo, os adolescentes que são atraídos por questões diferentes; tenho depoimentos de pessoas que se reverteram ao Islã (termo usado pelos muçulmanos) as quais confessaram que os motivos da conversão é a atração pelo diferente. Eles pegam nossos pontos fracos e aplicam como o amor ao próximo, a lealdade; sabe aquele princípio bíblico de considerar os outros superiores a nós, que muitos de nós não levamos a sério? Eles levam; então a amizade dentro do contexto islâmico é algo importante, eles pregam muito isso; desse modo, cristãos que já foram machucados pela ausência desses valores da vida cristã, quando os percebem no convívio entre muçulmanos, sentem-se atraídos e passam a pensar: eu estava enganado sobre eles, isso só pode ser de deus”, concluiu Charlotte.